Orientações básicas sobre alimentação saudável e como escolher frutas e legumes. Uma técnica segura para a utilização da faca ou um “jeitinho” especial para adicionar mais ingredientes na panela quente e os instrumentos de cozinha que podem facilitar o dia-a-dia do deficiente visual no preparo de refeições. Assim, enfocando saúde e segurança, foi o curso de Culinária Adaptada para Deficientes Visuais, realizado no último sábado, dia 05 de Dezembro, em Presidente Prudente.
O curso que integra o “Programa Vida Iluminada” da Associação Mulher Unimed do Centro Oeste Paulista (AMUCOP), proporcionou treinamentos individualizados para o preparo de refeições a jovens desprovidos da visão de 09 cidades da região (Assis, Avaré, Bauru, Botucatu, Jaú, Lençóis Paulista, Lins, Presidente Prudente e Tupã).
A individualização do aprendizado foi possível graças à participação incondicional de 15 voluntários que, captando as orientações e técnicas demonstradas pelos instrutores, aplicaram-nas aos deficientes visuais utilizando os recursos da audiodescrição (que consiste na transposição da imagem em palavras) e as sensações gustativa, tátil, olfativa e auditiva e a distribuição a cada participante o kit de cozinha: 1 cestinha contendo 1 avental, 1touca, 1 tábua de cortar, 1 faca, 1 descascador de legumes,1 cortador de legumes, 1abridor de latas, 1picador de alho, 1 escumadeira e 2 colheres de pau.
Entre os ensinamentos, além de aprender e praticar cortar os legumes e temperos, a panela de pressão (utilizada conforme orientações de segurança) torna-se um facilitador para o preparo de refeições saborosas e com menos trabalho. Assim, prepararam costela cozida na panela de pressão (podendo a mesma receita ser utilizada também para o preparo de rabada), macarrão com sardinha e ervilha na pressão, salada de maionese, legumes na manteiga, arroz, peixe cozido e pirão, café e bolo de chocolate. Todas as receitas com o modo de preparo mais simplificado possível.
As apostilas com todo o conteúdo abordado durante as atividades e as receitas foram impressas em braile para o cego, em tipos ampliados para as pessoas com baixa visão e em caracteres comuns para os voluntários.
Pela falta de equipamentos apropriados para a pessoa que não enxerga, adaptações devem ser introduzidas conforme a necessidade e adaptabilidade de cada um. Assim, os equipamentos de cozinha – (Microondas, liquidificador, fogão, etc.) – dá-se preferência aos modelos de aparelhos com teclas e informações em alto ou baixo relevo. Nos casos dos modelos digitais, adapta-se a partir da colagem de pequenos símbolos em relevo, por exemplo, botões com formatos diversos, letras em braile impressas em folha plástica, letras ou formatos em EVA, etc. Quanto à faca de cozinha, já existem nas lojas especializadas para deficientes visuais, facas adaptadas, mas muitas vezes inacessível devido ao seu custo e/ou meio de aquisição. Assim, com alguns cuidados, como o tamanho da faca ou o uso de protetores para os dedos e com técnicas especiais de apreensão do alimento a ser cortado, a faca comum poderá ser perfeitamente manejada por uma pessoa cega. São facilitadores também os utensílios de cozinha já existentes no mercado como descascador e fatiador de legumes, espremedor ou picador de alho, etc.
Finalizando, voluntários, assistidos e instrutores saboreiam o resultado do curso.
Dra. Eliza K. Otani e sr. Vagner dos Santos Magalhães foram os instrutores do curso e encerram o curso com um bate-papo com os participantes sobre a atividade e entrega de certificados de participação e apostilas.
Assim, dando ênfase de que “o resultado final do curso depende da parceria forte entre o voluntário e o assistido” e... “esperamos que a semente plantada venha a dar muitos frutos nas Associações da região”, finalizou parafraseando Mahatma Gandhi: “... Nós somos a transformação que desejamos ao Mundo!!!